Edifício residencial 8 House, Copenhague

Publicado: 24 de julho de 2011 em Arquitetura e Urbanismo

Edifício na Dinamarca tem cobertura verde em aclive que permite pedalar do térreo ao último pavimento.

 

O 8 House está construído à beira do canal de Copenhague, na Dinamarca
 
 
Construído à beira do canal de Copenhague, na Dinamarca, o 8 House é um condomínio multiuso projetado pelo celebrado escritório de arquitetura dinamarquês BIG. Sua volumetria em aclive permite que moradores e transeuntes circulem desde o nível térreo até a cobertura, de bicicleta ou a pé, por imensas rampas ajardinadas e ruas internas que acompanham os terraços dos apartamentos.

O subúrbio de Ørestad, no extremo sul de de Copenhague, é a principal vitrine dos projetos residenciais do estúdio BIG. É naquela região plana, delineada por vegetação rasteira e canais navegáveis, que foram construídos os principais edifícios projetados pelo escritório liderado por Bjarke Ingels, arquiteto de 38 anos que recebeu o European Prize for Architecture em 2010, e é considerado um dos principais representantes da nova geração de arquitetos europeus.

Entre estas construções está o 8 House, maior empreendimento imobiliário da história da Dinamarca, cuja construção iniciada em 2006, foi concluída em setembro de 2010. O edifício caracteriza-se por uma sobreposição de usos e tipologias que estimula o convívio e não segue o padrão arquitetônico de um típico condomínio vertical.

O condomínio está no subúrbio de Ørestad, região
de vegetação rasteira e canais navegáveis.
 
O pátio leste, voltado para o canal, é exclusivamente residencial
 
“Em vez de um objeto arquitetônico comum, o 8 House é um bairro tridimensional, uma comunidade de casas geminadas que se estende ao longo de um imenso bloco retorcido, desde o nível da rua até o topo”, explica Ingels.Visto do topo, o edifício tem o formato de um oito – daí o nome do projeto. Graças a este desenho, que também se assemelha ao de uma gravata borboleta, criam-se dois pátios internos distintos: um deles, voltado a oeste, com caráter privativo, e outro voltado ao leste, conectado ao canal. No centro do perímetro estão as áreas de uso comum como a portaria e a lavanderia, e, no nível térreo, um corredor de nove metros de comprimento que interliga os dois jardins.
 
O 8 House recebe esse nome por causa de sua forma.
 
Ao redor dos pátios, distribuem-se os 61 mil metros quadrados de área construída do complexo. Para otimizar a circulação dentro desse bloco, os arquitetos separaram os usos horizontalmente, de modo que os escritórios ocupam a torre norte e as lojasdistribuem-se pelo nível térreo, tanto para as calçadas externas quanto para o pátio oeste.Os andares superiores são exclusivamente residenciais, com unidades habitacionais que variam de 65 a 144 metros quadrados e contam com layouts planejados para três diferentes fases da vida: jovens solteiros, casais com filhos ou idosos.”A combinação de usos permite que atividades individuais aconteçam nos locais mais adequados para cada uma delas – o comércio voltado para a rua, os escritórios voltados para a suave luz do norte, e os apartamentos banhados pelo sol abundante das demais fachadas, de onde descortinam-se vistas espetaculares para o entorno”, explica Ingels.                                           

Os apartamentos têm localização que se privilegia
 da luz natural e das vistas para o entorno.
 

Mas o que melhor distingue o 8 House de outros condomínios multiuso são seus dois telhados verdes e inclinados com área total de 1,7 mil metros quadrados. Estrategicamente posicionados para reduzir o efeito de ilha de calor e definir a identidade visual do projeto, eles tem inclinação suficiente para que os moradores possam caminharsobre eles.

Dessa forma, os arquitetos projetaram ao lado de toda sua extensão um caminho público que se conecta aos corredores que acompanham os terraços dos apartamentos. A solução oferece a possibilidade de andar de bicicleta ou a por todo o perímetro do condomínio, desde o nível da rua até o 11° e último andar, criando em cada andar um ambiente próprio de vizinhança, com calçadas, jardins e portões.

“Apostamos em uma arquitetura criativa e experimental, que procura surpreender e convidar os usuários para um estilo de vida baseado em um senso de comunidade. Instalamos os espaços de convívio no topo do edifício de modo que os jardins, as árvores e a circulação induzem os usuários a seguir até o telhado verde. No último pavimento, onze andares acima, esses espaços compartilhados culminam em um terraço ajardinado de onde se pode apreciar a vista da incrível natureza que caracteriza o entorno”, conclui o arquiteto.

O 8 House caracteriza-se pela sobreposição de usos e tipologias distintas.

 

Para explicar o processo criativo que deu origem ao 8 House, o arquiteto Bjarke Ingels criou uma história em quadrinhos.

Processo criativo

 
 
A torre norte é dedicada a escritórios.
 
 
Dois telhados verdes e inclinados reduzem o efeito de ilha de calor e definem a identidade visual do condomínio.
 
 
 
As coberturas têm inclinação suficiente para que os
 moradores possam caminhar sobre elas.
 
 
Um corredor de nove metros conecta os
dois pátios internos.
 
 
Ao lado dos tetos verdes, um caminho público se conecta
 aos corredores que acompanham os terraços dos apartamentos.
 
 
Corredores também conectam os pátios
internos ao exterior
 
 
Os moradores podem andar de bicicleta por todo o perímetro
do condomínio, desde o nível da rua até o 11° e último andar.
 
 
Nas áreas comuns, não há distinção entre espaço
público e privado
 
 
O caminho público da cobertura se conecta aos corredores que acompanham os terraços dos apartamentos.
 
 
As residências foram planejadas para três perfis distintos:
jovens solteiros, casais com filhos e idosos.
 
 
Os imóveis recebem ventilação e iluminação natural.
 
 
Todos os apartamentos contam com terraços.
 
 
Texto de Fabio de Paula
Publicada originalmente no ARCOWEB
Dezembro de 2010

Ficha Técnica

Projeto: 8 House
Cliente: St. Frederikslund Holding
Arquitetura: BIG – Bjarke Ingels Group
Colaboração: Hopfner Partners, Moe & Brodsgaard, Klar
Tamanho: 61 mil metros quadrados, 476 apartamentos
Custo: 92 milhões de euros
Local: Copenhague, Dinamarca
Ano: 2010
Arquitetos: Bjarke Ingels, Thomas Christoffersen
Chefe de Proieto: Ole Elkjaer-Larsen, Henrick Poulsen
Gerente de Projeto: Finn Norkjaer, Henrik Lund
Equipe: Dennis Rasmussen, Rune Hansen, Agustin Perez Torres, Annette Jensen, Carolien Schippers, Caroline Vogelius Wiener, Claus Tversted, David Duffus, Hans Larsen, Jan Magasanik, Anders Nissen, Christian Alvarez Gomez, Hjalti Gestsson, Johan Cool, James Duggan Schrader, Jakob Lange, Kirstine Ragnhild, Jakob Monefeldt, Jeppe Marling Kiib, Joost Van Nes, Kasia Brzusnian, Kasper Broendum Larsen, Louise Heboell, Maria Sole Bravo, Ole Nannberg, Pablo Labra, Pernille Uglvig Jessen, Peter Rieff, Peter Voigt Albertsen, Peter Larsson, Rasmus Kragh Bjerregaard, Richard Howis, Soeren Lambertsen, Eduardo Perez, Ondrej Tichy, Sara Sosio, Karsten Hammer Hansen, Christer Nesvik, Soeren Peter Kristensen, Lacin Karaoz, Marcello Cova, Luis Felipe González Delgado, Janghee Yoo, SunMing Lee
Fotos: Ty Stange,  Jens Lindhe, Ulrik Reeh, Jan Magasaik e Dragor Luft

Fonte – Retirada do site ARCOWEB em 24 de julho de 2011:

http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/big-bjarke-ingels-group-8-house-22-12-2010.html

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